Arquivo de setembro de 2008

Contraste Cultural

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Por Ítalo Bosco*

O contraste foi a grande marca da última sexta-feira na Esquina da MPB e também do Bar Brahma. Enquanto o palco principal do Bar apresentou a já conhecida – e antiga – banda Placa Luminosa, coube ao ainda não tão popular Wesley Nóog e a 1Banda animarem a Esquina da MPB, espaço que busca inserir novos nomes no cenário da música brasileira.

Impressiona a diferença de idade entre Wesley, 40, e sua banda de apoio, formada por Marquinhos Onze Horas (percussão), Gringo Alegoria (percussão), Rodolfo Stocco (violão e cavaquinho) e Bebê do Góes (percussão), todos com menos de 25 anos. Mas a idade não é empecilho para a talentosa 1Banda, que engrandece ainda mais as apresentações de Nóog; muito pelo contrário, parece que a juventude faz muito bem ao estilo funk&soul que o artista mistura com o samba.

O público que ocupava a Esquina no início da noite era predominantemente jovem. A faixa etária dos ocupantes do Bar Brahma era superior. Porém, o swing de Wesley Nóog e da sua 1Banda foi responsável pela interessante mistura de públicos, já que, ao final do show do Placa Luminosa, ainda havia bastante gente querendo dançar e sambar. Para eles, houve a possibilidade de migrar de ambiente, tornando ainda mais atraente a noite na Esquina da MPB.

O vasto repertório de Wesley Nóog – composto por músicas próprias e também de grandes artistas do funk&soul como Tim Maia e Cassiano – não deixou ninguém parado e mostrou que as sextas-feiras do Centro de São Paulo não serão mais as mesmas…

*Ítalo Bosco é estudante de Jornalismo da PUC-SP e colaborador da produtora Muda Cultural.

Nova versão para a música brasileira

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Por Mariana Resegue*

Muito já foi falado que a Esquina da MPB é um dos lugares de São Paulo que abre espaço para o que há de novo na música brasileira. Seguindo essa linha, a noite de sexta começa com uma dupla nova que tem agradado muito ao público: Manuella Cavalaro e Franco Lorenzon, que cantam clássicos da MPB como “O que é, o que é”, de Gonzaguinha, e “Nervos de Aço”, de Lupicínio Rodrigues.

Na segunda parte da noite entra o grupo Nova Versão. Composto por Biriba (cavaquinho), Emerson, Mydras e Zé Carlos (percussão e vozes), o grupo saúda a música brasileira, com ênfase no samba, mostrando músicas já consagradas e outras menos famosas que, com versões diferenciadas, ficam de “cara nova”.

As participações especiais ficam por conta de Wesley Nóog, já conhecido da casa, que canta clássicos como “Saudosa Maloca”, e a nova Larissa Smid, que com sua bela voz dá mais brilho aos sambas como “Morro do Pinto”, “Escurinho” e uma versão empolgante de “Conto de Areia”, de Clara Nunes.

Bandas novas, como a Nova Versão, precisam de espaço para mostrar seu trabalho. Ao permitir que elas mostrem seu trabalho, a Esquina as ajuda a seguirem inovando e renovando a música brasileira.

*Mariana Resegue é estudante de Jornalismo da PUC-SP e de Ciências Sociais da USP e colaboradora da produtora Muda Cultural.

Mais Uma Das Meninas

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Por Paula de Paula*

A noite de sexta-feira mais uma vez começou com muita música boa na Esquina da MPB. Manoella Cavalaro e Franco Lourenzon esquentaram a noite com muita bossa nova e música popular brasileira com estilo banquinho, violão dele e voz dela.

Lá pela uma da manhã, a estonteante Adriana Moreira começa a encantar nossos ouvidos. Dessa vez Adriana já começa o show com os pés descalços e bem pertinho do público. Na parte de baixo do palco, a morena chama todo mundo para dançar e ocupar o espaço. Em cima, seu filho Raphael Moreira (percussão) e seus amigos Fernando Moreira (surdo), Marcel (Cavaquinho) e Junior Pita (violão) acompanham a animação de Adriana no maior ritmo.

O pedido foi aceito rapidamente e o bar inteiro começou a cantar e a sambar numa animação instantânea. O pequeno espaço entre o palco e as mesas ficou recheado de animados casais e grupos de amigos que juntos curtiram o melhor da música brasileira. O repertório foi desde Chico Buarque a Alcione, passando por Gonzagão, Dona Ivone Lara e enredo de escola de samba, já que a paulistana da Barra Funda tem uma grande influência da tradicional Camisa Verde e Branco.

A cantora é considerada, junto com Fabiana Cozza, Bruna Caram, Malú Magalhães, entre outras, as “novas meninas da mpb” e diz que fica feliz em fazer parte do grupo, pois pode ver suas “amigas trilhando junto o mesmo caminho na mpb”. Sobre o espaço, Adriana acha que “São Paulo precisa de ‘outras esquinas’ para que possa se cantar mais música popular livremente sem ter que ficar preso só aos sucessos que são ‘modinha’ no rádio.”

Mais uma noite animada na Esquina que acabou depois das três da manhã após muito samba e muita animação, provando que “quem não gosta de samba bom sujeito não é”.

*Paula de Paula é estudante de Letras da USP e de Jornalismo da PUC-SP e colaboradora da Muda Cultural.

Na esquina da MPB, o friozinho paulistano não tem vez; a música popular brasileira e o samba de raiz aquecem a noite

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Vanessa Café*

Uma sexta-feira com muito frio e com a iminente garoa paulistana não parece ser a perfeita noite para badalar. Esse mesmo motivo, porém, favorece que você saia de casa a procura de um lugar aconchegante, com um clima gostoso e onde dê para sambar e esquentar o corpo. Bem ali na esquina mais famosa de Sampa, a Esquina da MPB, as sextas fervem impedindo temperaturas mais baixas.

A noite começa com show estilo banquinho e um violão, com muita música de altíssima qualidade. É a vez de Caco Bahia e seu repertório marcado por uma diversidade de ritmos, que vai da MPB ao baião; o resultado é uma sonoridade forte, agradável, e com um sotaque gostoso, que não disfarça suas raízes baianas. Caco faz questão de fortalecer suas origens e mostrar algumas das suas canções.

Manuella Cavalaro e Franco Lourenzon sucedem o violonista e têm um repertório especifico de MPB e bossa nova. A cantora de voz suave interpretou ícones como Tom Jobim, Vinícius de Moraes, Sérgio Mendes, Elis Regina, entre outros. Além disso, Manú tem um enorme carisma e empatia com o público; sua apresentação foi alegre e empolgante.

Para animar o público da casa, um time de sambistas de primeira entra em cena. T.Kaçula e sua banda de apoio interpretam grandes clássicos do samba, destaque para autores como Adoniran Barbosa e Geraldo Filme, além de sambas da velha guarda paulista.

Passaram pelo palco Wesley Nóog e Fernanda Gomes, com destaque para a música “Nega Neguinha”, um samba com um balanço ritmado dedicado às mulheres presentes e que fez agitar todo o salão. A roda de samba ficou mais conceituada com a participação de Fernanda Gomes que interpretou, entres outros clássicos, a canção “No Mesmo Manto”, de Jovelina Pérola Negra.

*Vanessa Café é jornalista e colaboradora da Muda Cultural.