Arquivo de agosto de 2008

Brilhante, o samba clareia a noite na Esquina da MPB

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Por Chris Almeida*

Consagrado pela boa música, o palco da Esquina da MPB brilhou em mais uma sexta-feira. Dessa vez, o mérito ficou por conta de Wesley Noóg e Manoela Cavalaro, que se apresentaram e iluminaram o público com muita simpatia, talento e – como não poderia deixar de ser – em alto e bom som.

Após a abertura de Marcos Vilane, Manoela Cavalaro foi a primeira a se apresentar. A paulista, que aos 24 anos já soma 16 de música, floreou a noite cantando da bossa nova ao samba de raiz, com desenvoltura, propriedade e versatilidade. Partindo da proposta de buscar uma música essencialmente brasileira, mostrou um repertório muito bem escolhido e dimensionado por sua voz. Não à toa: para Manoela, não há como cantar a boa música brasileira sem passar pelo samba.

Em seqüência, na companhia de Bebê do Góes (percussão), Rodolfo Stocco (violão e cavaco), Marquinhos Onze Horas (percussão) e Richard Oliveira (Flauta, Sax, Trompete), Wesley Noóg também defendeu o samba e – sem dúvida – a mesma boa e grande música brasileira. Em harmonias e letras muito bem compostas, swingadas com levadas de funk e de soul, o som ficou deliciosamente amarrado e colorido pelos metais e pela percussão.

Assim que Wesley subiu ao palco, o público da Esquina naturalmente levantou e já começou a dançar e cantar. Entre clássicos como Jorge Bem Jor e Demônios da Garoa, o compositor mostrou canções próprias que de tão vibrantes e envolventes, rapidamente caíram no gosto da platéia e ecoaram pela pista. Bruna Caram também participou da noite fazendo uma doce e merecida homenagem ao grande Dorival Caymmi, com “A vizinha do lado”.

*Chris Almeida é estudante de Jornalismo da PUC-SP e de Letras da USP e colaboradora da produtora Muda Cultural.

Vila no Centro

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Por Paula de Paula*

Logo depois do Brasil ter conquistado a sua primeira medalha de ouro nas Olimpíadas de Pequim na última sexta-feira, entra em cena, quase que para comemorar, o grupo Nova Versão. Formado por músicos da Vila Madalena, e sob a influência do GRES Pérola Negra, a banda mistura em seu repertório hip-hop, samba de raiz e também música popular brasileira “recente”, como o já consagrado Seu Jorge.

O público da Esquina começa tímido a arriscar uma “sambadinha” aqui e outra ali, mas a música do grupo acaba por contagiar a todos e logo o bar pula, samba e canta sem parar. Os sucessos de samba de raiz, enredos clássicos de escola de samba, agradam ao público que aprova até mesmo a versão pouco convencional da música “Diz que fui por aí” de Nara Leão, homenagem justa aos cinqüenta anos da Bossa Nova.

Desta vez o intervalo foi mais do que especial: o amigo do Nova Versão, e já conhecido da Esquina, T.Kaçula dá uma canja para o grupo e ainda chama uma convidada, a cantora mineira Karine Telles, que mostra sua bela voz e canta alguns sucessos de Clara Nunes como “Ogum e Yansã” e “Conto de Areia”.

A apresentação segue madrugada adentro, com muita animação e, é claro, muito samba, que saiu do tradicional bairro boêmio da Vila Madalena e foi conquistado pela magia do centro e pelo aconchego da Esquina da MPB.

*Paula de Paula é estudante de Letras da USP e de Jornalismo da PUC-SP e colaboradora da Muda Cultural

“Quem nunca viu o samba amanhecer…”

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Por Mariana Resegue*

A combinação da esquina Ipiranga e São João com música brasileira há muito foi celebrada por Caetano Veloso. Porém a Esquina da MPB vem reinventando essa antiga dupla, apresentando shows da nova geração de músicos brasileiros e de novas tendências, firmando-se como alternativa para os paulistanos apreciadores da boa música. Na última sexta-feira, o palco recebeu a talentosa Adriana Moreira que, com seu jeito próprio de fazer samba, mostrou ser uma das grandes promessas da música nacional.

Criada na quadra da escola de samba paulista Camisa Verde e Branco, Adriana entende e muito de samba. Mostrou isso cantando composições novas, como a bela música “O Sorriso do Sambista” do compositor e amigo Renato Fonte — presente na platéia —, e resgatando composições antigas de músicos como Paulo Vanzolini, Candeia e Paulo César Pinheiro, entre outros. Como não podia faltar, ela também celebrou clássicos de Chico Buarque, Cartola, João Bosco, Dona Ivone Lara e outros grandes nomes da nossa música, inclusive passando por outros ritmos brasileiros como o forró, cantando “Pau de Arara” de Luiz Gonzaga.

Além do repertório diversificado, a intérprete mostrou-se entregue ao público, fazendo uma apresentação de três horas sem intervalo. O público retribuiu de bom grado, dançando e cantando os sambas com entusiasmo. A sintonia entre cantora e platéia foi tanta que Adriana ultrapassou em quase duas horas o horário previsto, entrando madrugada adentro com a sua música. Vale dar mérito também aos instrumentistas da banda: Marcel, com seu cavaquinho cinco cordas, e Junior, com o violão sete cordas, que tocaram de forma harmoniosa, acompanhados da percussão bem ritmada feita pelo filho e pelo sobrinho de Adriana, deixando os sambas ainda mais bonitos.

Ao final da apresentação, e já descalça, Adriana estava em casa. Conversou com o público, atendeu pedidos de músicas e elogiou o ânimo da platéia. São exemplos como esses que mostram que o samba paulista tem muita tradição, apesar de ser pouco conhecido do grande público. Para quem quiser conhecer, vem pra Esquina pra ver.

*Mariana Resegue é estudante de Jornalismo da PUC-SP e de Ciências Sociais da USP e colaboradora da produtora Muda Cultural.

Sexta, Samba, São Paulo

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Por Paula de Paula*

A noite de sexta começa calma e gostosa no palco da Esquina da MPB. Marco Vilani, dono de uma voz sensível e forte, interpreta os maiores sucessos da música popular brasileira no já consagrado estilo banquinho e violão. O repertório vai de clássicos “das antigas”, como Cartola, até os mais novos, como Jorge Vercilo, colocando ao início da noite uma agradável trilha sonora.

O show segue com T.Kaçula e convidados, sambistas paulistanos que tocam samba de… São Paulo! A proposta do grupo é resgatar esse samba que muitas vezes fica esquecido no meio do já tradicional samba carioca. A proposta se dá através de um show com explicações, que faz o público entender um pouco mais do samba paulistano. T.Kaçula nos conta entre uma curiosidade e outra, por exemplo, que o nome de batismo de Adoniran Barbosa é João Rubinato.

Para o intérprete, resgatar o samba paulistano em um local tão importante como a esquina da Ipiranga com a Av. São João é um privilégio e também para mostrar ao público do bar como o samba da “terra da garoa” tem qualidade e tradição.

O público aprovou a proposta de T.Kaçula e cantou junto os sucessos de Adoniran, provando que, como já dizia a letra, “para ser sambista não precisa ser do morro” (Geraldo Filme).

*Paula de Paula é estudante de Letras e Jornalismo e colaboradora da Muda Cultural.