Arquivo de julho de 2008

Enquanto isso… Música!

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Por Chris Almeida*
                                                        
Não cabe aqui o título de “novos artistas”. Antes de serem novos, muitos dos compositores que se apresentaram na última segunda-feira no projeto “Enquanto Isso” já são, sem dúvida, grandes artistas. O projeto do jornalista Mauro Dias reuniu compositores que, independente da aprovação da mídia, seguem fortes defendendo sua arte com muita habilidade e, principalmente, qualidade musical.

O início do show ficou por conta do “banquinho e violão”. Porém, a consagrada fórmula não inibiu os artistas de mostrarem e, muito menos, elaborarem novas propostas musicais. O primeiro foi Rubens Kurim, que abriu a noite com composições muito sensíveis e precisas. A cena continuou com Adolar Marin, que numa pegada mais próxima do samba, legitimou sua passagem com o refrão: “Minha canção é a razão de tudo que me faz sempre sorrir e prosseguir em paz”.

Na seqüência, Haroldo Oliveira cantou seu universo afinando o violão num tom maior de ritmo e balanço. O paulistano, que registra como referência a diversidade do universo brasileiro – passando desde o “samba de coco” de Jackson do Pandeiro ao rico repertório lírico de Chico Buarque –, embalou a todos com sua fusão exata entre letra e melodia.

A música experimental também marcou a noite no violino elétrico de Cleyton Rodrigues e nas batidas de Rita Maria e Isla Jay. Instigante, a dupla feminina passou por diversas possibilidades instrumentais em que a interação inesperada de elementos (como um beat de rap tocado na zabumba!) entregou ao público novos formatos e concepções musicais. De volta ao samba, Doda Macedo e Ione Papas passaram hábeis e docemente pelo samba-canção e pelo samba-de-roda. O show terminou grande, com a música dos veteranos Kleber Albuquerque e Ellio Camalle.

Mauro Dias pontuou durante a noite que é preciso distinguir a “música nova” do “formato novo”: enquanto que a primeira se faz apenas por uma música inédita, o segundo desenvolve novas propostas e elaborações. E o músico Haroldo Oliveira acertou ao dizer que, além de estar gerando saídas, o Projeto Enquanto Isso remete à proposta dos antigos festivais que deram voz a muitos dos grandes artistas que temos hoje e enriqueceram imensamente a música brasileira.

*Chris Almeida é estudante de Jornalismo da PUC-SP e de Letras da USP e colaboradora da produtora Muda Cultural.

Miscelânea de ritmos marca a dobradinha musical do final de semana

terça-feira, 29 de julho de 2008

Por Anna Thaís de Matos*

Uma sexta-feira de inovações musicais marcou mais um final de semana da Esquina da MPB. A abertura do nordestino Marcos Vilane, com a sua voz leve e seus acordes inovadores, que foge do repertório habitual das famosas happy hours, preparou a casa para Wesley Nóog o paulistano irreverente, com swing contagiante
 
Num cenário regado a samba, soul e funk, Wesley mostrou o porquê da música brasileira ser considerada um vulcão sempre em erupção. Nóog faz parte de um projeto que busca inspiração na periferia e na poesia, a Cooperifa (Cooperativa da Cultural da Periferia) que a cada dia nos beneficia com um leque de artistas. O músico mostrou faixas exclusivas de seu novo CD Mameluco Afro Brasileiro que tem estréia prevista para setembro deste ano, e também os clássicos do samba, como Demônios da Garoa, Jorge Bem Jor, Adoniran Barbosa e outros. A produção do CD fica por conta da produtora Muda Cultural, um novo selo fonográfico que surge no cenário musical de São Paulo.

Com uma voz forte e sorriso fácil, Wesley atraiu a todos que estavam presentes ao descer do palco e se misturar na dança com o público, ao som de Nega Neguinha (faixa de seu álbum) letra que mostra a singularidade de sua música: a irreverência, que como ele mesmo diz: “não importa a cor da pele, nem a cor dos olhos, nega é uma forma carinhosa de tratar a mulher”. Essa mistura foi a combinação perfeita numa noite musical na Esquina da MPB: Marcos Vilane, o arquiteto do som, e Wesley Nóog, que resgata o samba boêmio misturado com as batidas do soul e letras alegres.

*Anna Thaís de Matos é estudante de jornalismo da PUC-SP e colaboradora da produtora Muda Cultural.