Ontem, Fernanda Takai, com “O Barquinho” em japonês; hoje, Vital Farias, cantador da saga nordestina
quinta-feira, 26 de junho de 2008Exemplo de profissionalismo, talento e simpatia, Fernanda Takai cantou ontem para casa lotada, no terceiro espetáculo da semana de inauguração da Esquina da MPB. Apresentada pela jornalista - e curadora do evento - Patricia Palumbo, contou um pouco de sua história, da emoção de participar das comemorações dos 50 anos da bossa nova, de como sua formação de artista pop determinou o tom peculiar da abordagem do gênero em seu novo disco, dedicado à obra de Nara Leão.
Fernanda é suave, com era Nara, minimalista e detalhista (características que, afinal, andam sempre juntas). “O tom pop do disco”, ela disse, “nasceu de nossa pouca intimidade com a bossa, aliada à vontade de rever aquelas músicas gravadas pela Nara. Mas eu sou cantora de formação pop e dei a minha visão de como as canções poderiam soar”. E abriu o show com uma versão de “O Baraquinho” em japonês.
Hoje, apresenta-se na esquina o compositor paraibano Vital Farias, gênio que há cerca de 20 anos voltou do sudeste para sua terra e por lá ficou. Desde então, esta é a primeira vez em que Vital sai de Taperoá. Veio de carro, pois como Dominguinhos, outro nordestino genial, Vital não anda de avião. Viajou quatro dias, em companhia da filha Giovanna (que vai cantar com ele), da mulher de de um filho novo.
Vital fez furor no início dos anos 80, quando lançou seu primeiro disco-solo apresentando maravilhas como “Caso Você Case”, “Olha meu Bem (Margarida”, “Via Crucis da Mulher Brasileira”, “Ai que Saudade D’ocê” (esta, depois, foi gravada por Fábio Jr. e virou sucesso de publico. Vital participou, ao lado de Elomar, Xangai e Geraldinho Azevedo, dos shows da série “Cantoria”, lançados originalmente em LP, pela gravadora independente Kuarup, ainda hoje no catálogo de CDs da gravadora.
Naqueles mesmo anos 80, Vital criou uma espécie de ópera amazônica - “Saga da Amazônia” - em que cantava a floresta e se queixava, pioneiramente, em música, dos riscos que a selva corria. Cantando os bichos, os povos, as árvores, os rios, deixou na “Saga” o canto de amor e protesto que depois ecoaria na voz de outros cantadores.
Seu violão precioso, de formação erudita (como o de Elomar, a quem é sempre comparado), tornam a obra ainda mais fascinante. Não perca Vital Farias, hoje, na Esquina da MPB. A próxima chance pode demorar outros 20 anos.