Vila no Centro

Por Paula de Paula*

Logo depois do Brasil ter conquistado a sua primeira medalha de ouro nas Olimpíadas de Pequim na última sexta-feira, entra em cena, quase que para comemorar, o grupo Nova Versão. Formado por músicos da Vila Madalena, e sob a influência do GRES Pérola Negra, a banda mistura em seu repertório hip-hop, samba de raiz e também música popular brasileira “recente”, como o já consagrado Seu Jorge.

O público da Esquina começa tímido a arriscar uma “sambadinha” aqui e outra ali, mas a música do grupo acaba por contagiar a todos e logo o bar pula, samba e canta sem parar. Os sucessos de samba de raiz, enredos clássicos de escola de samba, agradam ao público que aprova até mesmo a versão pouco convencional da música “Diz que fui por aí” de Nara Leão, homenagem justa aos cinqüenta anos da Bossa Nova.

Desta vez o intervalo foi mais do que especial: o amigo do Nova Versão, e já conhecido da Esquina, T.Kaçula dá uma canja para o grupo e ainda chama uma convidada, a cantora mineira Karine Telles, que mostra sua bela voz e canta alguns sucessos de Clara Nunes como “Ogum e Yansã” e “Conto de Areia”.

A apresentação segue madrugada adentro, com muita animação e, é claro, muito samba, que saiu do tradicional bairro boêmio da Vila Madalena e foi conquistado pela magia do centro e pelo aconchego da Esquina da MPB.

*Paula de Paula é estudante de Letras da USP e de Jornalismo da PUC-SP e colaboradora da Muda Cultural

Um comentário para “Vila no Centro”

  1. Monica Sanches disse:

    Fui assistir uma vez a apresentação da esquina, porém, percebi novamente algo que ocorre comumente no cenário musical brasileiro. É o novo que não é novo. Ou é o novo que vem da panela. Não sei se por acaso no dia em que estive presente, notei uma variedade músicos pertencentes ao “famoso” clube caiubi, que diga-se de passagem já é um grupo fechado, formado e enfim, quem não está dentro, ou não quer fazer parte, quer ter pernas próprias, acaba implorando(apesar do talento), um espaço para poder divulgar o trabalho. E gente boa, que tá no mercado. Só não tá na “panela”.Abram mais esses espaços, ouçam mais os trabalhos de forma democrática, permitam que o público tenha a oportunidade do novo, senão fica tudo igual sempre. O regime tem que ser democrático. E falo isso, pois sem quem está batalhando por espaço, tem enorme talento, mas no entando depende de ficar em banho maria dentro da panela, até que chegue sua vez.
    Abram mais seus ouvidos, já ouvi muita coisa não tão agradável no caiubi e na própria esquina, sem menosprezar o talento de ninguém, pois todos tem lugar ao sol, mas gente, abertura a todos e o povo escolhe, o povo opina, ok?
    Abraço e desculpe realmente o desabafo, mas a verdade tem que aparecer….
    A coisa tem de ser verdadeira, senão, não anda.

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