Sexta, Samba, São Paulo
Por Paula de Paula*
A noite de sexta começa calma e gostosa no palco da Esquina da MPB. Marco Vilani, dono de uma voz sensível e forte, interpreta os maiores sucessos da música popular brasileira no já consagrado estilo banquinho e violão. O repertório vai de clássicos “das antigas”, como Cartola, até os mais novos, como Jorge Vercilo, colocando ao início da noite uma agradável trilha sonora.
O show segue com T.Kaçula e convidados, sambistas paulistanos que tocam samba de… São Paulo! A proposta do grupo é resgatar esse samba que muitas vezes fica esquecido no meio do já tradicional samba carioca. A proposta se dá através de um show com explicações, que faz o público entender um pouco mais do samba paulistano. T.Kaçula nos conta entre uma curiosidade e outra, por exemplo, que o nome de batismo de Adoniran Barbosa é João Rubinato.
Para o intérprete, resgatar o samba paulistano em um local tão importante como a esquina da Ipiranga com a Av. São João é um privilégio e também para mostrar ao público do bar como o samba da “terra da garoa” tem qualidade e tradição.
O público aprovou a proposta de T.Kaçula e cantou junto os sucessos de Adoniran, provando que, como já dizia a letra, “para ser sambista não precisa ser do morro” (Geraldo Filme).
*Paula de Paula é estudante de Letras e Jornalismo e colaboradora da Muda Cultural.
5 de novembro de 2008 às 7:39
Aqui jaz mais um representante do Samba de São Paulo (Projeto Comunidade – Portuguesinha da Vila Mariana), ou melhor, de nossa cultura popular, assassinado por um representante “legítimo” do Estado. Vítima é o nosso Samba da vaidade do poder, e pela causa morte, chego a pensar que Democracia é o poder do Demônio, perdoem os gregos ou romanos pela blasfêmia, já que o livre arbítrio é uma falácia usada como o pão apenas para angariar votos, (direitos desumanos). Ao nosso povo já carente de informação, estrutura e condições mínimas de sobrevivência, resta-nos o que é dado “ Diversão e o Pão”, enchem-nos a barriga e a mente, assim…..
Entretanto se até diversão nos é tirada, e olha, dessa sobrevivem alguns nossos pares, como conseguir o pão…ah! A eleição, fonte rica de vitaminas e sais minerais que nos alimenta de promessas… Santo, Santo, Santo, o senhor (político) é meu pastor então pastarei……
Não, não vou calar, ora, falam dos militares, das organizações criminosas e até das religiões, mas e esse “regime politicamente correto”, que não é alcançado pela maior parte da mentes, já que essas são condicionadas a carregarem as folhas ao formigueiro. Agindo nas entranhas do favorecimento sacrificam as células desse corpo chamado povo, somos parte da estatística, não percebem, números manipulados na lousa vida, facilmente substituídos para que a equação atinja o resultado desejado, poder pelo poder para o poder…
Abram os olhos a segregação continua, só que agora mental ….
Quando eu soltar a minha voz, por favor, entenda (obrigado Gonzaguinha), mas nesse momento nossa voz faz residência no calabouço da aristocracia do poder municipal…
A você que nos calou pensando que coração não tem cérebro, saiba que, não esperaremos mais quatro anos para exercer nossos direitos.
Continuaremos cantando nosso samba até que o mais básico dos direitos seja restaurado, o direito de expressão.
Cantaremos mais alto e mais alto e mais alto, se necessário gritaremos, e tenho certeza que, um dos “verdadeiros representantes de nossa gente” há de ouvir e exercer com justiça o poder legitimamente constituído pela força de nossos votos.
Deixe-nos cantar as poucas alegrias que temos…..
Washington Luiz dos Santos